11 de junho de 2011

Izolina completa 100 anos com lápis e caderno na mão

Segundo ela, o segredo para tanta disposição é o queijo mineiro, a costelinha de porco e muita fé em Deus


Texto: Paulo Monteiro (matériapublicada originalmente pelo jornal Folha Norte: jornalfolhanorte.com.br)

Foto: Walkiria Vieira


Após criar os filhos e os netos, Izolina Mendes Campos decidiu realizar um antigo sonho: aprender a ler e escrever. Foi aí que em 1998 passou a dividir suas atividades de dona de casa com o curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA), na Escola Municipal Moacyr Camargo Martins, no conjunto Parigot de Souza I (Zona Norte). Sempre especial para os colegas de classe, devido à simpatia e o exemplo de vida, ela teve um destaque ainda maior no último dia 25 de maio, quando completou 100 anos de vida.


E quando alguém lhe pergunta o segredo de tanta disposição em pleno centésimo aniversário, dona Isolina logo responde. “Queijo mineiro, costelinha de porco, feijão e, é claro, muita fé em Deus.” Tanta força de vontade fez com que ela realizasse o antigo sonho de desvendar as letras. “Eu sempre tive muita vontade, mas meu pai nunca deixou. Quando me casei, os meus filhos tomavam todo o meu tempo. Então, aos 88 anos, pude ir à escola pela primeira vez.”

Além do antigo desejo de frequentar uma sala de aula, dona Izolina conta que os afazeres de casa, como cozinhar, lavar, passar e costurar, deixavam os seus dias muito iguais e os problemas decorrentes da idade avançada começaram a atrapalhar. “Eu me sentia muito sozinha e estava esquecendo muitas coisas, então resolvi estudar para ocupar minha cabeça. Lá eu aprendi a escrever o meu nome, fiz vários amigos e também vendo tapetes que eu mesmo faço.”


Além destes motivos, há seis meses a escola ajudou Izolina a superar um momento muito triste em sua vida. “Perdi o meu filho mais velho, com 75 anos, vítima de câncer. Mas graças a Deus o estudo me ajudou a suportar esta dor.”


A centenária nasceu no interior de Minas Gerais e chegou a Londrina na década de 1970. Hoje ela acorda às 5h30, prepara o café para acompanhar o queijo, volta à cama para um cochilo, levanta novamente às 9h para tomar um copão de leite, e às 10h30 começa a fazer o almoço, que quase todos os dias têm seu prato predileto: costelinha de porco e feijão.


Agitada em sala de aula

A professora Selma Geraldino é quem ministra as aulas no curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA), na Escola Municipal Moacyr Camargo Martins, Parigot de Souza I, e falou um pouco sobre a sua ilustre aluna de 100 anos. “Ela é muito agitada, atenciosa, esperta e serve de exemplo para os estudantes preguiçosos. A convivência com dona Izolina é muito agradável”, ressalta Selma, apontando outras peculiaridades da aluna centenária. “Ela gosta muito de dar risada e chamar a minha atenção. A única coisa que a deixa brava é quando ficamos sem atividades por alguns minutos. Outra coisa que me deixa curiosa é que ela não precisa da ajuda de óculos e não tem as mãos trêmulas”, admira a professora.


Previsão é chegar até os 130

Religiosa, dona Izolina vai três vezes por semana à Igreja Congregação Cristã e afirma que só chegou aos 100 anos com a ajuda de Deus. Além disso, diz já estar satisfeita em alcançar essa idade, embora confesse que, se permanecer com saúde, pretende alcançar os 130 anos e se tornar a pessoa mais velha do mundo.


Izolina teve seis filhos, 12 netos e um bisneto com 22 anos de idade. “A mãe não para um minuto e quer ir à escola todos os dias”, comenta o filho Raimundo Xavier Campos, 62 anos. “A única situação que a deixa sem vontade de sair de casa é o frio, aí ela prefere ficar dormindo. O que mais me surpreende é vê-la passar a linha na agulha de costura sem a necessidade de usar óculos”, admira Raimundo.


A filha Enedina Dias Mendes, 68 anos, conta que a mãe é um pouco esquecida, o que não a impede de manter alguns costumes, como produzir tapetes e consertar roupas em sua velha máquina de costura. “A minha mãe também sempre me convida para acompanhá-la nos estudos, mas eu digo que quando chegar aos 88 anos, como ela, eu volto à escola”, brinca Enedina.


Outro que aproveitou para falar da vovó centenária foi o neto Romeu Aparecido Dias, 37 anos. “Ela é inquieta e nunca desperdiça uma oportunidade de passear. Inclusive, já fez várias viagens de ônibus e até de avião. Além disso, está sempre me cobrando uma voltinha de carro”. Romeu acrescenta que a avó só não gosta de resolver assuntos burocráticos. “Mas o resto é ela quem decide. Principalmente na hora de comprar roupas novas.

5 de junho de 2011

Moradores fazem operação tapa-buracos


Cansados de esperar providências, vizinhos do Farid Libos compram material e decidem
arrumar a rua de casa

Texto: Paulo Monteiro (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte: jornalfolhanorte.com.br)

Fotos: Paulo Monteiro


Moradores do conjunto Farid Libos (Zona Norte de Londrina) cansaram de esperar a boa vontade do poder público e resolveram tapar os buracos da rua Dr. Ricardo Skawroneck. Depois de nove meses de espera, desde o último pedido de providência, decidiram, literalmente por a mão na massa e solucionar o problema que vitimou vários motociclistas. Os vizinhos se muniram de cal, pedra, cimento, areia, água e resolveram a situação pelo menos em frente de casa, já que os buracos se estendem ao longo da via.


“Antes que alguém morresse aqui, resolvemos tampá-los”, diz a manicure Maria Aparecida Barbosa, 35 anos, apontando o lugar onde havia os buracos. Ela conta que fez alguns telefonemas à prefeitura, mas de nada adiantou. Outra moradora que integrou a frente de trabalho no Farid Libos foi a massoterapeuta Lucinei Kamada, 50 anos. “Os homens prepararam o cimento e nós ajudamos a fechar. Agora, só falta mandar a conta para o prefeito Barbosa Neto”, ironiza. Seu marido, Celso Oliveira Kamada, 60, também colaborou. “Ajudei na compra do cimento, da pedra e, é claro, na mão de obra.”


Além dos motociclistas, pedestres e crianças já se machucaram por causa da má conservação do asfalto. “O povo vem da igreja à noite, não percebe o buraco e acaba machucando os pés. Vira e mexe, as crianças também caem durante as brincadeiras na rua. Até os passageiros dos ônibus se levantam do banco, quando se aproximam dos buracos, para evitar as pancadas”, informa a dona de casa Enedina Antunes de Melo, 55 anos.


Outro morador que lamenta a situação do bairro é Denegildo Luiz Pereira, 37 anos. “Se fosse um filho já tinha nascido, afinal faz, mais ou menos, nove meses que os buracos apareceram.”


Ele acrescenta que a Rua Dr. Ricardo Skawroneck liga alguns bairros da Zona Norte à Zona Leste. “O fluxo de veículos não é pequeno, os motoristas que vêm do João Paz, Semíramis e Violin, em direção ao Parque das Indústrias Leves, passam diariamente por aqui. Espero que não aconteçam mais acidentes.”

9 de maio de 2011

Um amigo chamado cavalo


Equoterapia tem contribuído muito para o tratamento de crianças com dificuldades motoras


Texto: Paulo Monteiro (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte: jornalfolhanorte.com.br)

Fotos: Walkíria Vieira

A equoterapia está dando a muitas pessoas a oportunidade de conhecer seus primeiros movimentos físicos. A atividade é uma fisioterapia realizada em cima de um cavalo, mas vai além, já que também proporciona progressos psicológicos e sociais aos pacientes. Sendo maioria neste tipo de terapia, as crianças se tornam a cada sessão menos limitadas e aprendem aos poucos a lidar melhor com o seu próprio corpo e com o animal que as ajudam no tratamento.

O fisioterapeuta André Celso Matias é um dos poucos profissionais que trabalham com esta técnica em Londrina. Ele destaca as peculiaridades dos exercícios e alguns recursos encontrados apenas na equoterapia. “O mais importante é o movimento tridimensional que imita o caminhar humano, pois as posições ocorrem de cima para baixo, de um o lado para outro e da frente para trás”, esclarece. Segundo Matias, a atividade proporciona ao corpo, pot meio do cavalo, receber mais de 20 mil informações nervosas durante as movimentações.


Os resultados são relativos a cada paciente e podem ser notados a partir de três a sete sessões. O fisioterapeuta ressalta outra característica da técnica. “Tem ainda a questão social, porque a criança, normalmente, chega até nós em uma cadeira de rodas, vendo o mundo sempre de baixo para cima. A partir do momento que ela caminha sobre o cavalo, passa a ver o mundo por uma nova perspectiva, tendo uma visão superior sobre as outras pessoas”, destaca.


A psicóloga Mari Tereza Molinari acompanha Matias durante as terapias e aponta as vantagens. “A autoestima e o desenvolvimento social são importantíssimos neste trabalho. Pois a relação com o cavalo também costuma ajudar no progresso emocional, já que a pessoa aprende a superar muitos medos, entre eles, do próprio animal.”


Poucas sessões, muito progresso


Uma das pacientes da equoterapia é a garota Trinity, de um ano e oito meses. Quando era recém nascida, teveicterícia e a parte motora de seu corpo comprometida. Após dois meses participando da terapia, os primeiros resultados foram suficientes para deixar sua avó contente. “Antes minha neta não conseguia ajoelhar nem sentar, hoje isso já é possível. Inclusive, os professores da creche me disseram que ela está mais ágil, conta a dona de casa Sirlene de Abreu Curunzi, relatando que após cada sessão de equoterapia, Trinity fica mais calma e relaxada.


Dedicado, o avô Merquídio de Oliveira é outro que sempre faz companhia à netinha durante as terapias e também avalia a sua evolução. “Os braços, que quase não mexiam, hoje se movimentam para quase todos os lados. O pescoço dela era bem molinho e, depois de três sessões, está bem melhor. Praticamente o seu corpo inteiro está mais firme”, avalia.


“Queremos oferecer sessões gratuitas”


Infelizmente, o trabalho realizado pelo fisioterapeuta André Celso Matias e a psicóloga Mari Tereza Molinari ainda não pode ser realizado gratuitamente. No entanto, eles já disponibilizam meia bolsa para alguns pacientes e procuram parceiros para oferecer a terapia sem custo aos carentes. “Nossa intenção é ajudar de forma gratuita, mas para isso, precisamos de alguém para bancar gastos. O custo mensal de um cavalo sai em média R$ 1.300, com alimentação, manutenção do local onde vive, além do seu aluguel e do espaço para fazer os exercícios” explica Matias.


O valor da mensalidade para cada paciente é R$ 190, sendo uma sessão semanal de 30 minutos. O contato pode ser feito diretamente com o fisioterapeuta André, pelo telefone: 9959-6060, ou na Villa Hípica de Londrina, Avenida Tiradentes, 3333, jardim Jockey Clube, telefone: 3324-0001.

26 de abril de 2011

Massacre no Rio põe escolas de Londrina em alerta



Profissionais de ensino criam formas para manter a paz dentro das salas de aula. Polícia busca a prevenção e a aproximação da comunidade

Texto: Paulo Monteiro (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte:jornalfolhanorte.com.br)

Fotos: Walkíria Vieira

Após o massacre na escola de Realengo, região Oeste do Rio de Janeiro, no início de abril, quando 12 crianças foram mortas a tiros por um homem de 24 anos, o alerta sobre a segurança soou entre professores, alunos e Polícia Militar. Fatos como brigas, armas e drogas, infelizmente, já fizeram parte da rotina de muitos colégios do município. A esperança é que os problemas parem por aí, já que ninguém está preparado para uma situação como a protagonizada pelos cariocas.

Para diminuir a violência nas escolas de Londrina, os métodos vão desde o diálogo até a instalação de câmeras de vídeo. A diretora auxiliar Giane de Souza Silva do colégio estadual Tsuru Oguido, no jardim Santa Rita (Zona Oeste), conta como mantém os 840 alunos em regime de paz. “Tentamos resolver tudo internamente. Mas, quando não conseguimos, ligamos para a Patrulha Escolar. Além disso, estamos cercados de muros altos e identificamos as pessoas na entrada”, explica. Giane diz que o colégio é tranquilo e que o último caso grave foi em 2009, quando um aluno da 5ª série foi visto com um revólver. De acordo com a diretora, o ponto forte é que grande parte dos professores são da região e conhecem as famílias do bairro.


Do outro lado da cidade, na Vila Yara (Zona Leste), fica o colégio estadual João Sampaio, com mais de 800 alunos. A diretora auxiliar Idi Cachione Rossi relembra o que já presenciou durante os 30 anos como professora no local. “No passado, houve muitas brigas e alunos que portavam drogas. Hoje, a maioria dos problemas é de indisciplina”, revela. Idi acrescenta que há muita atenção e cuidado com quem entra no colégio, “exigimos uniformes dos alunos para facilitar a identificação. Quando desconfiamos de alguém, chamamos a Patrulha Escolar, mas necessitamos mesmo de inspetores especializados em segurança”.


A diretora auxiliar Rosangela Ferreira Hoffmann do colégio estadual Professora Ubedulha de Oliveira, no conjunto Luiz de Sá (Zona Norte), destaca a força da comunidade no reforço a segurança dos 1.500 alunos. “Hoje, há câmeras em todas as salas de aula, secretaria, portão de entrada e quadra de esportes. Isso só foi possível com o apoio dos moradores da região que participaram de nossas promoções”, destaca. Outra forma de coagir a violência é não permitir estranhos dentro do colégio e, para isso, estão sendo instaladas catracas eletrônicas. A diretora espera, no entanto, supervisores

de pátio e a participação das famílias. “Geralmente, quando o filho alcança o ensino médio, os pais deixam de acompanhá-los até o portão do colégio”, critica.


Patrulha busca se aproximar da comunidade


“Procuramos trabalhar junto aos professores, pais e alunos”, diz o tenente da Patrulha Escolar da PM, Fernando Bonifácio Ferreira, explicando que 97% do trabalho é preventivo e feito através de dinâmicas realizadas entre a comunidade e os profissionais de ensino. Nelas criam-se perguntas, problemas, soluções e o comprometimento junto aos militares. Com isso, a comunidade percebe que tem responsabilidade sobre a escola e os alunos passam a ter uma boa relação com a polícia, ajudando a identificar os problemas como armas e drogas.

O tenente afirma que o contingente de policiais é excelente e que sempre estão fazendo palestras nos colégios sobre o respeito ao próximo, o bullying e a identificação de estranhos dentro dos locais de ensino. Ele informa que já houve registros de armas de fogo e drogas dentro das salas de aula, mas parte dos incidentes é relacionada à indisciplina e a falta de estrutura familiar. “Muitos pais não observam o comportamento dos seus filhos em casa e nem os acompanham na escola, que é uma obrigação.”

Para evitar possíveis surpresas, Bonifácio recomenda aos alunos andarem em grupos e denunciarem qualquer situação de risco. Aos pais, aconselha acompanhar os alunos até o colégio, além de sempre verificar internamente a bolsa dos seus filhos.

9 de abril de 2011

Complexo esportivo traz nova rotina aos moradores da Zona Norte


Depois de anos aguardando por uma estrutura esportiva no bairro, comunidade do Parigot III chega por volta das seis da manhã e só deixa o local no final da noite


Texto e fotos - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte: jornalfolhanorte.com.br)


O Complexo Esportivo do conjunto Parigot de Souza III (Zona Norte) está tirando os moradores de casa. Crianças, jovens, adultos e idosos dividem a quadra reformada, a mesa de pingue-pongue e a 20ª academia ao ar livre da cidade, além da conservação do local.


“O pessoal chega por volta das seis da manhã e à meia-noite ainda tem gente fazendo exercícios”, conta Lucimara Navarro, orgulha-se Lucimara Navarro, uma das representantes da comunidade. “Faz muitos anos que estamos há muito tempo reivindicando uma estrutura como essa no Parigot. Nos últimos oito meses, fomos várias vezes a prefeitura cobrar a reforma da quadra esportiva”, recorda. “Hoje temos até iluminação.”


Na reforma, entregue no início deste ano, foi construída também uma mesa de pingue-pongue e os frequentadores têm à disposição bolinhas e raquetes, além de duas bolas de futsal para a

quadra.

O estudante Luiz Gabriel de Oliveira Fabrício, 16 anos, compara o passado ao presente, “antes era só mato, chegava a ser perigoso e tínhamos lazer. A quadra não tinha nada, a gente usava os nossos chinelos para marcar a trave. Hoje temos um lugar para jogar bola até de noite”.


Dona Celina dos Santos, 76 anos, deixou a novela e os afazeres de casa de lado e também foi para a rua aproveitar o espaço, com a esperança de diminuir as dores nas pernas. “Achei boa essa novidade, sofro muito com dores nas pernas. Com esses aparelhos e exercícios posso melhorar. Por isso venho de dia e à noite.”


Vandalismo preocupa os moradores

Uma dos maiores receios dos frequantadores do complexo esportivo é o risco de vandalismo. “Tomara a Deus que as pessoas conservem tudo isso, moro aqui pertinho e sempre que tiver um tempinho estarei vigiando”, diz dona Celina.


Cristina Alzira Mazetto, 50 anos, concorda e defende que todos devem fazer a sua parte. “Precisamos de fiscalizar para que não destruam esse lugar. Cobramos do poder público essa construção, agora o povo tem que fazer a sua parte e cuidar. Vejo as academias ao ar livre em outras regiões da cidade e percebo que elas já sofrem com a falta de cuidado”, relata Cristina.

1 de abril de 2011

Páscoa movimenta Economia Solidária


Preço baixo, encomendas, variedade e exclusividade são alguns dos atrativos do Centro Público


Texto: Paulo Monteiro (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte: jornalfolhanorte.com.br)

Fotos: Paulo Monteiro e Walkíria Vieira


Chocolates para todos os gostos, em ovos e trufas, cestas para páscoa. Estes são alguns dos produtos à venda no Centro Público do programa Economia Solidária, localizado na Avenida Rio de Janeiro, 1.278, ou na antiga lanchonete do Parque Arthur Thomas. O grande

diferencial da iniciativa é o preço, além da variedade e oportunidade de encomendas personalizadas. As lojas ficam abertas das 9h às 17h30, de segunda a sexta-feira.


Depois de uma campanha de sucesso no último Natal, o programa espera um bom público também para essa páscoa. “Aguardamos a visita de 150 a 300 pessoas em cada dia”, aposta a gerente de inclusão produtiva Maria Inês Barroso. Segundo ela, estão envolvidas cerca de 300 pessoas e 38 grupos de Londrina e região.


Adriana Marques produz uma variedade de pães de mel, como o trufado e ao rum Há dois anos no Centro Público, ela diz que os pães são produzidos na cozinha comunitária

do bairro Vivi Xavier (zona Norte) e inspecionados pela Vigilância Sanitária. Adriana conta que investiu R$ 3 mil na produção para Páscoa. “Quero ter 100% de lucro.”


Visitando o local pela primeira vez, Maria Hatsue Ichikawa aprovou os produtos a venda. “Estou adorando tudo isso. As coisas são muito bonitas e gostosas, percebe-se ainda o capricho das produções”, admira.


Juntando o agradável ao rentável

Há mais de cinco anos expondo seus produtos no Centro Público de Economia Solidária, Suzete de Jesus Soares da Silva produz e comercializa roupas para bebês e tapetes de crochê. “A facilidade e a boa aceitação do público é o diferencial de vender os produtos aqui. Essa aceitação ocorre porque é um programa social e que incentiva uma nova forma de economia”. A comerciante demonstra satisfação. “Faço os produtos em minha casa, com minha mãe e irmã.


Sempre tive o crochê comoum hobby e hoje posso ganhar dinheiro com isso. Junto o útil ao agradável.”


Lindisay Andressa Mazotto cria, junto com sua irmã, produtos voltados à decoração, como caixas decorativas, porta-retratos entre outros, a maioria a base de madeira e papel. “Faz pouco tempo que estou no programa. Aqui é ótimo, usamos esse espaço para expor nosso trabalho e o cliente sabe onde encontrá-lo com facilidade. Nós, comerciantes, temos o mesmo objetivo, produzir e trabalhar com um produto que gostamos e, além disso, temos uma renda”, destaca Lindisay.

18 de março de 2011

Mulheres guerreiras


história 1

“O meu maior apoio veio pela fé”


Textos e foto Paulo Monteiro (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte: jornalfolhanorte.com.br)


Mãe de três filhos naturais, Regina Célia Siqueria Almeida, poderia ser considerada mãe de algumas dezenas de filhos espalhados pelo mundo. Pois sua vida toda foi dedicada a ajudar as pessoas, principalmente as mais fragilizadas. Nesta lista estão incluídos dependentes de drogas, álcool, crianças carentes, portadores de HIV, entre outros.


Mulher de muita fé, Regina acredita que mantém as atividades até os dias atuais graças ao apoio de pessoas próximas e também pela força de Jesus Cristo e de Nossa Senhora Aparecida, a quem é devota. Tanta devoção e vontade de ajudar o próximo resultaram na fundação da Casa de Maria, zona Oeste, que nasceu como centro de apoio aos dependentes de álcool.


No início, a Casa de Maria tinha o intuito de prestar um atendimento ambulatorial. “Mas, com o passar dos anos, os dependentes de álcool chegavam de mala e cuia. Com o tempo percebemos a necessidade de abrigar essas pessoas”, conta ela, que teve a ajuda do marido nessa empreitada. “Ele cedeu o seu sítio em Faxinal (PR), em 1991, para abrigar essas pessoas.”

Após isso, Regina começou a atender também as pessoas portadoras de HIV. “Pela necessidade, já em 1995, nos transferimos para um antigo seminário em Jaguapitã (PR), o Recanto Amigo”, diz. No local são atendidas cerca de 80 pessoas, onde, além de amparo, recebem o apoio moral e espiritual, o tratamento médico ocorre em Londrina. Também em Londrina, no jardim Veraliz, a Casa de Maria cuida de crianças que têm os pais viciados em álcool e drogas.


O filantropismo ganhou força quando Regina iniciou no curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no início da década de 1970. Trabalhou por 15 anos no lar Anália Franco e, posteriormente, na Arquidiocese de Londrina, na pastoral familiar, onde acabou conhecendo profundamente os traumas que o alcoolismo causava às famílias.


Há 40 anos, os médicos haviam dado apenas seis meses de vida a Regina Célia Siqueira Almeida, por causa de um problema de varizes no esôfago. Ela precisou retirar um baço mas, ao invés de se entregar, deu a volta por cima e mergulhou de cabeça na filantropia – ofício que exerce até com o apoio da família. “Assim eu levo a minha vida, não penso no dia de amanhã, procuro aproveitar o hoje”, diz ela.


história 2


Dias melhores virão para Luzia


Há cinco anos a diarista Luzia Aparecida dos Santos não se deixa abater e luta dia após dia contra um câncer de mama. A doença não tirou a alegria de Luzia, ela enfrenta a vida sempre sorrindo. Sem parar de trabalhar, continua fazendo faxina diariamente em casas londrinenses.Mãe de um jovem de 18 anos que mora com o pai, Luzia foi casada durante 15 anos, mas se divorciou um ano após descobrir que estava com a doença. “Nessa época eu ainda estava casada, um ano depois eu me divorciei. Eu não posso culpar o câncer pela minha separação, mas... não sei, né...”, conta.


“Foi difícil e está sendo até hoje. Faz cinco anos que luto contra essa doença”, diz ela, relatando o momento em que a doença deixou de ser uma dúvida e passou a ser realidade dentro de si. “Eu sempre apalpava os meus seios e achei que tinha algo neles. Então eu fiz mamografia e foi constatado um nódulo de gordura. Na sequência, a médica me pediu uma ultrassonografia. Ela examinou e achou suspeita aquela situação. Logo após, passei por uma biópsia e, enfim, constatado o câncer”, lembra.


A partir daí, Luzia a enfrentar as várias etapas que a doença impõe aos pacientes, como a quimioterapia, medicamentos e queda de cabelos. “Perder os cabelos foi o menor obstáculo de todos. As sessões de quimioterapia foram os piores momentos de minha luta contra a doença, me deixavam muito mal”, explica.


Apesar de ter obtido progressos na luta contra a doença, Luzia diz ter muitas dificuldades para continuar o trabalho como diarista. Esta semana ela foi procurar ajuda no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para tentar o auxílio-doença, mas sem chances. “Esses são os privilégios da vida”, ironiza. Ela conta que o medicamento utilizado em seu tratamento a deixa muito vulnerável fisicamente. “Com os medicamentos, fico mais pra lá do que pra cá. Dificulta muito o meu trabalho”, relata.


Além disso tudo, Luzia mantém a fibra e a esperança de dias melhores. Ela avalia que, em breve, ao menos poderá deixar os medicamentos. “Eu já tenho melhorado bastante. Me livrar totalmente do câncer? Acredito que vai levar ainda alguns anos. Os medicamentos, se Deus quiser, eu deixo de tomar em maio de 2011”, espera a diarista.

9 de março de 2011

Lagos: diversão que pode oferecer riscos

Manchas de pele, doenças intestinais e principalmente afogamentos estão entre os maiores problemas verificados nas águas dos lagos londrinenses

Texto e fotos - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte: jornalfolhanorte.com.br)


Os lagos Igapó, Cabrinha e Norte talvez sejam um dos poucos pontos de lazer que parte da periferia londrinense desfruta. E, devido às altas temperaturas desta época do ano, esses locais atraem centenas de pessoas, especialmente crianças, que procuram se refrescar. Porém, o contato com a água suja desses lagos pode causar sérias doenças, além da ameaça de acidentes como afogamentos.


Com experiência em salvamentos, inclusive em lagos, Clodomir Marafigo Júnior, capitão do Corpo Bombeiros, faz um alerta sobre os riscos que os banhistas correm ao procurar os lagos Igapó, Cabrinha e Norte. “Esses locais são impróprios para banho. A pessoa que costuma frequentar esses lugares está colocando em risco a sua saúde e a sua vida. Esses lagos possuem um fundo totalmente irregular e águas muito sujas”, informa.


O capitão relata que em 2010 o município de Londrina registrou nove vítimas de afogamentos só nos lagos Cabrinha e Igapó. Segundo ele, esse não é um número tão acentuado, no entanto esses locais não devem ser utilizados para o banho. “Alertamos os pais para conversar com os seus filhos para que não frequentem lagos e rios, já que grande parte das vítimas é de crianças e adolescentes.”


Marafigo informa ainda que a operação Costa Norte, realizada desde o início do verão pelo Corpo de Bombeiros da região norte do Paraná, está intensificando a fiscalização em lagos, rios e piscinas. “Apesar de os lagos Igapó, Norte e Cabrinha não possuírem guarda-vidas, estamos sempre fazendo rondas ostensivas nesses locais”, conta.


FREQUENTADORES - Apesar de todo o alerta sobre os riscos, há quem goste de se banhar nos lagos londrinenses. Um deles é o pintor Bruno Camargo, que diz ter pego micose no lago Igapó. “Mesmo assim continuo vindo nadar aqui na época do calor. Venho porque não pago nada, é de graça. É perigoso nadar aqui, sei dos riscos, mas venho aqui por causa do calor”, explica.


Aos 15 anos de idade, Jeferson de Paes sequer acredita nos males que pode contrair ao ter contato com esse tipo de água. “Sempre nado no Igapó e nunca tive doença alguma. Não acredito que eu possa pegar alguma doença aqui.”


Médico aponta os riscos de infecções

O médico dermatologista Walter Campos afirma que muitas pessoas podem ter doenças causadas por bactérias encontradas nos lagos e locais de água parada. Segundo ele, fungos e insetos, entre outros, muitas vezes encontrados nas águas sem tratamento, transmitem doenças que atingem a pele humana. “Não só os lagos, mas qualquer lugar que tenha água parada, já que oferece um grande risco de contaminação devido aos fungos e picadas de insetos que estão infectados por bactérias. Essas bactérias crescem nessas águas poluídas com matéria orgânica em decomposição e causam várias doenças à pele”, alerta.


Campos explica que não é porque a pessoa mergulhou no lago Igapó que ela sairá doente. “Naturalmente, as próprias defesas do corpo humano irão protegê-la, mas se a pessoa já estiver imunedeprimida, cansada, ou em um dia muito quente, onde se queima muita energia, as doenças terão um poder ainda maior em atingi-la”, conta.


Algumas doenças transmitidas pela água contaminada atingem também outras regiões do corpo. “Nossa pele possui uma defesa chamada de imunidade do tecido, mas quando se toma muito sol essa defesa diminui e aumenta o risco de propagação da micose, que são manchas escamosas, explica. “Outro tipo de infecção é o bicho-geográfico, que é a penetração na pele pela larva das lombrigas, que fazem caminhos pelo corpo até chegarem ao intestino”, diz.

1 de março de 2011

Um esporte incomum, mas democrático


Esporte pouco praticado em Londrina conquista pessoas de várias idades. Segundo os atletas, a bocha é apaixonante

Fotos e Texto: PAULO MONTEIRO


A Cancha ou Quadra Municipal de Bocha, localizada na Avenida Henrique Mansano, em frente ao Estádio do Café, recebe diariamente novos e experientes atletas de um esporte pouco praticado, a bocha. De acordo com os praticantes, o esporte é cativante e permite que atletas idosos, por exemplo, disputem com outros adolescentes, uma característica pouco comum entre outras modalidades esportivas.


Cativante, a bocha não discrimina idade e nem pessoas com limitações físicas. A presidente da Associação dos Amigos da Bocha Sul-Americana (AABS), Rosicler Moreira, admite ser apaixonada pelo esporte, “a partir do momento que a conheci eu me apaixonei. Isso porque ela não impõe um limite de idade e é um esporte que não exige muito do preparo físico. Para minha idade, 56 anos, o melhor esporte é a bocha”, conta. Rosicler acrescenta que outro fator importante é a amizade que nasce através do esporte, “atualmente, muitos jovens estão iniciando na bocha, isso é maravilhoso. Aqui não tem rivalidade, pelo contrário, cada vez mais aumenta e fortalece o nosso círculo de amizades”, diz.


Um dos mais experientes do grupo de atletas, Ermínio Ribeiro da Costa, 71 anos, pratica o esporte desde 1993 e afirma que a bocha o ajuda na parte física e emocional. Assim como Rosicler, ele diz que só a bocha aceita atletas de mais idade. “A pessoa quando chega a uma certa idade só pode jogar bocha. Eu já joguei futebol, mas quando alcancei os 60 anos de idade fui para a bocha. Em campeonatos eu já enfrentei adversários de 20 anos de idade, como também já assisti uma mulher de 78 anos jogando”, lembra Costa.


Talvez por esse esporte ser mesmo apaixonante, outras paixões ficam para segundo plano. Com a camisa do time de coração, o Corinthians, em pleno dia de clássico contra o Palmeiras, o comerciário Mauro Antônio Batiston confessa escolher a bocha porque ela diminui o estresse diário. “Faz três meses que estou praticando. Trabalhamos e nos estressamos o dia inteiro, então, ao final do dia, venho aqui para relaxar. É um esporte muito saudável e não tem brigas”, comenta.


A assessora jurídica da AABS, Maria Giselda de Lima, relata ainda que o esporte também é praticado por pessoas hipertensas, depressivas e com deficiência, “a bocha é um esporte para qualquer um, hoje temos aqui pessoas até com problema de audição. Pessoas que usam cadeira de rodas, ou com outra deficiência, também podem jogar com outros competidores”, destaca.


Muita luta pela construção da cancha de bocha


Com a construção da Cancha Municipal de Bocha, o município espera por resultados positivos nos próximos eventos esportivos da categoria. Além disso, o diretor técnico da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), Pedro Lanaro, acredita que a bocha ajuda no bem estar dos praticantes. “A bocha é uma modalidade esportiva de muita relevância para a FEL, ela proporciona uma boa condição física aos participantes, independente da idade. As pessoas de meia idade e idosos praticam sem qualquer preocupação, isso ocorre porque esse esporte não faz uma grande exigência física”, explica.


Satisfeita com a estrutura da cancha, Maria Giselda de Lima lembra que antigamente as pessoas tinham que viajar a outras cidades para praticar a bocha. “Tínhamos que treinar nos municípios de Maringá e Campo Mourão. Só foi por isso que a bocha sobreviveu em Londrina. Também já improvisamos em outros lugares aqui no município, mas com estruturas irregulares”, conta.


Conheça a bocha


Segundo os próprios praticantes, a bocha é um esporte fácil de aprender. O objetivo do jogo é que a bocha (bola) ao ser arremessada chegue o mais próximo possível de um bolim (bola pequena), previamente lançada. O jogador tentará aproximar suas bolas junto ao bolim, ou afastar as bolas dos seus oponentes. A quadra têm 24 metros de comprimento por quatro de largura, o piso é de carpete. As partidas, normalmente, vão até os 12 pontos e podem ser disputadas em equipes, duplas ou individualmente.

 

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