9 de março de 2011

Lagos: diversão que pode oferecer riscos

Manchas de pele, doenças intestinais e principalmente afogamentos estão entre os maiores problemas verificados nas águas dos lagos londrinenses

Texto e fotos - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte: jornalfolhanorte.com.br)


Os lagos Igapó, Cabrinha e Norte talvez sejam um dos poucos pontos de lazer que parte da periferia londrinense desfruta. E, devido às altas temperaturas desta época do ano, esses locais atraem centenas de pessoas, especialmente crianças, que procuram se refrescar. Porém, o contato com a água suja desses lagos pode causar sérias doenças, além da ameaça de acidentes como afogamentos.


Com experiência em salvamentos, inclusive em lagos, Clodomir Marafigo Júnior, capitão do Corpo Bombeiros, faz um alerta sobre os riscos que os banhistas correm ao procurar os lagos Igapó, Cabrinha e Norte. “Esses locais são impróprios para banho. A pessoa que costuma frequentar esses lugares está colocando em risco a sua saúde e a sua vida. Esses lagos possuem um fundo totalmente irregular e águas muito sujas”, informa.


O capitão relata que em 2010 o município de Londrina registrou nove vítimas de afogamentos só nos lagos Cabrinha e Igapó. Segundo ele, esse não é um número tão acentuado, no entanto esses locais não devem ser utilizados para o banho. “Alertamos os pais para conversar com os seus filhos para que não frequentem lagos e rios, já que grande parte das vítimas é de crianças e adolescentes.”


Marafigo informa ainda que a operação Costa Norte, realizada desde o início do verão pelo Corpo de Bombeiros da região norte do Paraná, está intensificando a fiscalização em lagos, rios e piscinas. “Apesar de os lagos Igapó, Norte e Cabrinha não possuírem guarda-vidas, estamos sempre fazendo rondas ostensivas nesses locais”, conta.


FREQUENTADORES - Apesar de todo o alerta sobre os riscos, há quem goste de se banhar nos lagos londrinenses. Um deles é o pintor Bruno Camargo, que diz ter pego micose no lago Igapó. “Mesmo assim continuo vindo nadar aqui na época do calor. Venho porque não pago nada, é de graça. É perigoso nadar aqui, sei dos riscos, mas venho aqui por causa do calor”, explica.


Aos 15 anos de idade, Jeferson de Paes sequer acredita nos males que pode contrair ao ter contato com esse tipo de água. “Sempre nado no Igapó e nunca tive doença alguma. Não acredito que eu possa pegar alguma doença aqui.”


Médico aponta os riscos de infecções

O médico dermatologista Walter Campos afirma que muitas pessoas podem ter doenças causadas por bactérias encontradas nos lagos e locais de água parada. Segundo ele, fungos e insetos, entre outros, muitas vezes encontrados nas águas sem tratamento, transmitem doenças que atingem a pele humana. “Não só os lagos, mas qualquer lugar que tenha água parada, já que oferece um grande risco de contaminação devido aos fungos e picadas de insetos que estão infectados por bactérias. Essas bactérias crescem nessas águas poluídas com matéria orgânica em decomposição e causam várias doenças à pele”, alerta.


Campos explica que não é porque a pessoa mergulhou no lago Igapó que ela sairá doente. “Naturalmente, as próprias defesas do corpo humano irão protegê-la, mas se a pessoa já estiver imunedeprimida, cansada, ou em um dia muito quente, onde se queima muita energia, as doenças terão um poder ainda maior em atingi-la”, conta.


Algumas doenças transmitidas pela água contaminada atingem também outras regiões do corpo. “Nossa pele possui uma defesa chamada de imunidade do tecido, mas quando se toma muito sol essa defesa diminui e aumenta o risco de propagação da micose, que são manchas escamosas, explica. “Outro tipo de infecção é o bicho-geográfico, que é a penetração na pele pela larva das lombrigas, que fazem caminhos pelo corpo até chegarem ao intestino”, diz.

1 de março de 2011

Um esporte incomum, mas democrático


Esporte pouco praticado em Londrina conquista pessoas de várias idades. Segundo os atletas, a bocha é apaixonante

Fotos e Texto: PAULO MONTEIRO


A Cancha ou Quadra Municipal de Bocha, localizada na Avenida Henrique Mansano, em frente ao Estádio do Café, recebe diariamente novos e experientes atletas de um esporte pouco praticado, a bocha. De acordo com os praticantes, o esporte é cativante e permite que atletas idosos, por exemplo, disputem com outros adolescentes, uma característica pouco comum entre outras modalidades esportivas.


Cativante, a bocha não discrimina idade e nem pessoas com limitações físicas. A presidente da Associação dos Amigos da Bocha Sul-Americana (AABS), Rosicler Moreira, admite ser apaixonada pelo esporte, “a partir do momento que a conheci eu me apaixonei. Isso porque ela não impõe um limite de idade e é um esporte que não exige muito do preparo físico. Para minha idade, 56 anos, o melhor esporte é a bocha”, conta. Rosicler acrescenta que outro fator importante é a amizade que nasce através do esporte, “atualmente, muitos jovens estão iniciando na bocha, isso é maravilhoso. Aqui não tem rivalidade, pelo contrário, cada vez mais aumenta e fortalece o nosso círculo de amizades”, diz.


Um dos mais experientes do grupo de atletas, Ermínio Ribeiro da Costa, 71 anos, pratica o esporte desde 1993 e afirma que a bocha o ajuda na parte física e emocional. Assim como Rosicler, ele diz que só a bocha aceita atletas de mais idade. “A pessoa quando chega a uma certa idade só pode jogar bocha. Eu já joguei futebol, mas quando alcancei os 60 anos de idade fui para a bocha. Em campeonatos eu já enfrentei adversários de 20 anos de idade, como também já assisti uma mulher de 78 anos jogando”, lembra Costa.


Talvez por esse esporte ser mesmo apaixonante, outras paixões ficam para segundo plano. Com a camisa do time de coração, o Corinthians, em pleno dia de clássico contra o Palmeiras, o comerciário Mauro Antônio Batiston confessa escolher a bocha porque ela diminui o estresse diário. “Faz três meses que estou praticando. Trabalhamos e nos estressamos o dia inteiro, então, ao final do dia, venho aqui para relaxar. É um esporte muito saudável e não tem brigas”, comenta.


A assessora jurídica da AABS, Maria Giselda de Lima, relata ainda que o esporte também é praticado por pessoas hipertensas, depressivas e com deficiência, “a bocha é um esporte para qualquer um, hoje temos aqui pessoas até com problema de audição. Pessoas que usam cadeira de rodas, ou com outra deficiência, também podem jogar com outros competidores”, destaca.


Muita luta pela construção da cancha de bocha


Com a construção da Cancha Municipal de Bocha, o município espera por resultados positivos nos próximos eventos esportivos da categoria. Além disso, o diretor técnico da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), Pedro Lanaro, acredita que a bocha ajuda no bem estar dos praticantes. “A bocha é uma modalidade esportiva de muita relevância para a FEL, ela proporciona uma boa condição física aos participantes, independente da idade. As pessoas de meia idade e idosos praticam sem qualquer preocupação, isso ocorre porque esse esporte não faz uma grande exigência física”, explica.


Satisfeita com a estrutura da cancha, Maria Giselda de Lima lembra que antigamente as pessoas tinham que viajar a outras cidades para praticar a bocha. “Tínhamos que treinar nos municípios de Maringá e Campo Mourão. Só foi por isso que a bocha sobreviveu em Londrina. Também já improvisamos em outros lugares aqui no município, mas com estruturas irregulares”, conta.


Conheça a bocha


Segundo os próprios praticantes, a bocha é um esporte fácil de aprender. O objetivo do jogo é que a bocha (bola) ao ser arremessada chegue o mais próximo possível de um bolim (bola pequena), previamente lançada. O jogador tentará aproximar suas bolas junto ao bolim, ou afastar as bolas dos seus oponentes. A quadra têm 24 metros de comprimento por quatro de largura, o piso é de carpete. As partidas, normalmente, vão até os 12 pontos e podem ser disputadas em equipes, duplas ou individualmente.

7 de fevereiro de 2011

Londrinense é picada por escorpião em show de Amy Winehouse



Alta temperatura e chuvas favorecem a reprodução de aranhas, cobras e escorpiões nesta época do ano


Texto e fotos - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte:jornalfolhanorte.com.br)


A jornalista Carolina Martinez Prado, que viajou de Londrina a São Paulo para assistir ao show de Amy Winehouse no último dia 15 de janeiro, viveu emoções diferentes num curto espaço de tempo. Além da alegria e empolgação de presenciar uma grande artista, ela também passou por momentos de angústia e dor. Carolina sofreu uma picada por escorpião ao final do show e passou muito mal.


”Estou assustada ainda e não me sento mais em grama sem uma proteção, foi muito dolorido e assustador”, conta ela, que tomou alguns medicamentos durante vários dias. “O meu maior medo foi ter uma necrose no local da picada”, acrescenta.


Carolina conta que, ao final do show, sentou-se num gramado para esperar um amigo e logo sentiu uma picada forte na parte superior da coxa. “Devido à adrenalina do show, relevei momentaneamente a dor. Procurei o que havia me picado e não encontrei por causa do escuro”, relembra.


Ela conta que após alguns minutos começou a sentir falta de ar e formigamento na boca, além do corpo quente e coceiras. “Achei que era bobagem, mas fui tomada por um forte cansaço. Percebi que meus braços estavam vermelhos, procurei o centro médico do show e eles me deram uma vacina de Fenergan (medicamento indicado no tratamento de sintomas e distúrbios incluídos no grupo das reações anafiláticas e alérgicas). Ao chegar em casa, notei que o meu corpo inteiro estava vermelho e minha orelha inchada”, recorda a jornalista.


Já em Londrina, no dia seguinte, Carolina diz que havia um grande hematoma no local da picada e procurou um médico alergista. “Ele então me comunicou que sofri uma picada de escorpião”, relatou Carolina.


Nesta época do ano, de temperaturas elevadas, aumentam os casos de picadas de animais peçonhentos, muitos com risco de morte. O Centro de Informações Toxicológicas (CIT) - serviço de apoio e tratamento e prevenção de intoxicação - registra uma média de 70 casos por mês.

De acordo com a coordenadora do CIT, Conceição Turini, boa parte dos casos atendidos envolve intoxicação, seja por ingestão de produtos ou no contato com animais peçonhentos e venenosos. Segundo ela, as altas temperaturas e as chuvas, comuns entre os meses de setembro a maio, favorecem a reprodução de cobras, escorpiões e aranhas.

Conceição aponta que o maior número dos casos atendidos está ligado as aranhas, geralmente do tipo armadeira, “Esse animal costuma viver em galhos, folhagem, lixo de maneira em geral e materiais de construção, além do interior de calçados e locais com muitos insetos”, alerta a coordenadora.


Ela recomenda, portanto, muito cuidado ao ter contato com árvores e outras vegetações, principalmente os trabalhadores rurais e as pessoas que estão em férias e aproveitam para visitar áreas rurais e parques. “Na zona rural os trabalhadores devem usar camisas de mangas compridas, luvas e botas altas apropriadas ao trabalho."

Acidente fatal
O último registro de morte foi em 1997 no município de Tamarana. Esse caso aconteceu no mês de julho daquele ano, quando o jovem Rogério Martins Monteiro esbarrou em taturanas da espécie lonomia. Os primeiros sintomas sentidos pelo jovem foram fortes dores de cabeça e queimação no braço em que teve o contato. O rapaz foi encaminhado no dia seguinte ao Hospital Universitário de Londrina, chegando ao local já em estado grave.

Conheça os animais peçonhentos
Animais como aranhas, escorpiões e cobras são ativamente parte do equilíbrio ecológico e por isso são importantíssimos para o controle de pragas. Portanto, o ser humano deve aprender a conviver harmoniosamente com esses animais. A coordenadora do CIT, Conceição Turini, destaca informações sobre onde identificar os animais peçonhentos e venenosos.

Aranha
É importante manter o quintal sempre limpo. Ter cuidado com lugares pouco visitados e escuros, onde geralmente são habitados pela aranha marrom. Já aranha armadeira vive em lenhas, materiais empilhados, troncos, folhagens densas, bananeiras.
Escorpiões
A limpeza também é importante para manter os escorpiões distantes. Durante o dia ele se esconde em troncos podres, pedras, casca de árvore, materiais empilhados e no interior de casas.

Cobras
As serpentes peçonhentas geralmente vivem na zona rural, por isso as principais vítimas são os agricultores. As cobras podem ser encontradas em acumulo de lixo, entulho, folhagens densas, assoalhos, forros.
Taturanas (lonomia)
A taturana geralmente é encontrada em folhagens. Dentro de sua fase larvária de borboleta e mariposa, por ser sensível, ela tem o corpo recoberto por pelos ou, no caso da taturana lonomia, por espinhos parecidos com galhos de pinheiro. A lonomia é a mais perigosa, pois pode levar a um distúrbio hemorrágico e à morte.
Serviço
Em caso de acidentes com animais peçonhentos e venenosos a pessoa deve procurar uma unidade básica de saúde. O Centro de Informações Toxicológicas (CIT) fica no Hospital Universitário de Londrina e atende 24 horas, inclusive nos fins de semana. O endereço é avenida Robert Kock, 60, Vila Operária. Telefone: (43) 3371-2244.

1 de fevereiro de 2011

Bebê-Clínica é exemplo na prática preventiva

Criado em Londrina, tratamento voltado para a saúde bucal infantil é usado também por outros países


Texto e foto - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte: jornalfolhanorte.com.br)


Londrina é modelo para o mundo quando o assunto é tratamento da saúde bucal de crianças. Isso graças ao pioneirismo da Bebê-Clínica que atende bebês a partir dos quatro meses de idade, sempre com a intenção também de reeducar os pais a prevenir as doenças de seus filhos.

O diretor Antônio Ferelle explica que quando começaram a divulgar a idéia, em 1983, os dentistas foram chamados de loucos. “Questionavam-nos de como iríamos atender as crianças, já que elas não possuíam dentes”, contou Ferelle. Referência, a clínica trabalha na geração e fortalecimento de hábitos saudáveis, além de propor melhorias no processo de desenvolvimento da prática sanitária em geral.


Vinculada à Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Bebê-Clínica começou a funcionar em 1983 quando um grupo de professores de Odontopediatria percebeu o grande número de crianças com cáries já aos três, quatro anos de idade. “Então nos perguntamos, por quê então não atendemos as crianças antes delas terem esses problemas?”, conta o diretor Antônio Ferelle. “Através disso buscamos desenvolver um novo jeito de atender essas crianças. Começamos com atividades na Bebê-Clínica, atendendo as crianças e orientando os pais”, diz.


O trabalho da Bebê-Clínica vai além da criança e tem na reeducação dos pais o ponto de partida do tratamento. Ferelle diz que dessa forma os pais educarão corretamente seus filhos em relação à saúde bucal. A criança inicia-se no programa por volta dos quatro meses de idade. Antes, é feito uma reunião com os pais onde é explicado o trabalho da clínica e normas que devem ser seguidas rigorosamente. Já na clínica é ensinado aos pais como limpar a boca de seus filhos, o consumo de açucares e como deve ser o aleitamento noturno, responsável pela cárie de mamadeira.


“Através do histórico apresentado pelos pais, saberemos os riscos que a criança tem de possuir cárie. Por exemplo, se ela come muito doce e não escova os dentes. Lembrando que as crianças não nascem pedindo doces, são os adultos que dão. Se elas não experimentarem, não irão pedir”, afirma o diretor Antônio Ferelle.


A equipe Bebê-Clínica é grande, e desde março de 2009 a dentista residente Paula Kreling fortalece este time. Todos sempre bem preparados para atender o grande número de crianças, Paula diz que cada dentista residente atende uma média de 350 pacientes.


A Bebê-Clínica atende também crianças através do seu pronto-socorro, a dentista conta que há uma grande diferença entre elas. “A maior dificuldade é em relação à conduta da criança. Trabalhamos com dois tipos, as que já estão se tratando conosco desde os quatro meses, que são mais fáceis de trabalhar, e as que chegam através do pronto-socorro. Essas chegam em uma situação mais precária em relação aos dentes, chegam com cáries, com dores, além dos traumas causados por incidentes”, relata.


“Acho muito bom já que desde a primeira reunião que participamos, há seis meses, começamos a fazer o que nos foi ensinado, já notamos o resultado positivo”, destaca Edson Juliano Fernandes, pai da paciente Ana Gisele, de quatro meses.


Fernandes destaca que todo o aprendizado na Bebê-Clínica trará um futuro melhor para a saúde bucal da sua filha. “Hoje novamente a trouxemos e a dentista nos ensinou mais um pouco, sabemos que tudo isso será muito bom para o futuro dela. Sabemos que dessa forma iremos livrar nossa filha de muitas complicações. O trabalho que nós tivemos com nossos dentes, não queremos que ela também tenha”, completa o pai junto à esposa.


Referência fora do país

Muitos profissionais buscam na Bebê-Clínica o aperfeiçoamento em odontologia para bebês e o estágio de observação. Alguns desses vindos de vários estados brasileiros e países da América Latina. A história da Bebê-Clínica, além do bom atendimento, registra avanços na formação de recursos humanos em saúde, além da produção de tecnologias na área de odontologia para bebês.


Uma inovação simples, mas de grande utilidade é a ‘Macri’, uma pequena maca desenvolvida pelos profissionais da clínica para conter a inquietação das crianças no atendimento. O diretor Antônio Ferelle explica melhor a inovação. “O nome Macri é uma mistura de maca com criança, ela foi criada para que as crianças não se mecham muito. Quando nós as atendemos, elas usam o pé para apoiar e se virar na cadeira, já nesta maca, elas não conseguem fazer esse movimento”, explica o diretor Antônio Ferelle.


Todo esse atendimento diferenciado é também lembrado por Franciele Souza Rodrigues, mãe de Davi que há dois anos faz tratamento no local, após cair e perder um dente. “Eu gosto do tratamento. A criança é muito bem atendida, além do ambiente que é bom e os dentistas são muito bem preparados”, reconhece.


Cerca de 30 mil atendimentos

Depois de décadas, a Bebê-Clínica já atendeu quase 30 mil crianças, sempre sensibilizando a população de pais e responsáveis a respeito da importância da saúde bucal dos bebês. Assim, fica difícil entender que os precursores desse projeto foram um dia desacreditados.


O diretor explica que quando começaram a divulgar a idéia, foram chamados de loucos pelos veículos de comunicação. “Questionavam-nos de como iríamos atender as crianças, já que elas não possuíam dentes. Então respondíamos que a nossa intenção era trabalhar com a educação das mães para a prevenção de doenças bucais em seus filhos”, relembra com alegria o diretor, já que a partir dali passariam a ser exemplo na prática odontológica brasileira e mundial.


Até hoje já passaram pela Bebê-Clínica mais de 29 mil crianças. O que um dia foi tratado como loucura por muitos, hoje é admirado e usada inclusive por outros países da América do sul, junto ao México, Israel e Estados Unidos. “Hoje, quando a criança nasce, o médico já indica um dentista para ela se consultar. Ou seja, o que antigamente davam risada de nós, atualmente é aceito culturalmente em nossa região em todos os hospitais”, comenta Ferelle.


Endereço da Bebê-Clínica: Rua Benjamin Constant, 800. Telefone: 3323-1232. Email: bebeclinica@uel.br

24 de janeiro de 2011

Teste rápido antecipa tratamento de HIV


O importante ainda é a prevenção, mas o conhecimento prévio do vírus facilita o encaminhamento de medicamentos e prolonga a vida do portador
Texto e fotos - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte jornalfolhanorte.com.br)

Tensão acompanhada de uma certa angústia. Assim podem ser considerados os 15 minutos que antecedem o resultado do teste rápido de HIV, realizado desde 2006 pelo Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA). Aberto ao público, o teste é simples, gratuito e pode detectar o tão temido vírus da aids ainda em seu princípio, antes mesmo que a pessoa portadora comece a sentir os primeiros sintomas.

Toda essa praticidade vem acompanhada de um resultado que pode ser de alívio para uns e de desespero para outros, pois ninguém está preparado para aceitar uma nova vida, talvez, agora acompanhada de um vírus estigmatizado pela sociedade. Descobrir o HIV de forma rápida agiliza o tratamento e torna mais fácil direcionar os medicamentos para o tipo de soro específico do portador.

O CTA possui uma equipe multiprofissional para o atendimento, oferecendo a todos assistência médica e social, farmacêutica, psicológica, odontológica e de enfermaria. O interessado em fazer o teste é cadastrado e convidado a assistir a uma palestra de 30 minutos, preliminar ao teste rápido. O centro costuma receber diariamente uma média de 15 pessoas interessadas no teste.

Proferida pela orientadora Ilda Cássia Baptistotti, a palestra tem cunho esclarecedor. No início, Ilda explica a diferença entre a aids e o HIV. O HIV é o vírus que desenvolve a aids e, após a pessoas ser infectada, em muitos casos ela só sentirá os sintomas depois de oito meses.

A orientadora afirma que quem ao faz o teste pode só acabar descobrindo que tem a doença através dos sintomas apresentados pelo seu corpo. Um deles é a perda de peso, causada pela falta de apetite e por causa de diarréias. Gripes constantes, pneumonia, tuberculose, herpes, entre outros, também podem ser sintomas, pois são doenças oportunistas. No entanto, há casos de HIV que não têm todas essas características. A hepatite também é um assunto tratado na palestra.

A palestra ensina como utilizar corretamente os preservativos masculinos e femininos. Outro ponto destacado pela orientadora é o preconceito, isso porque muitas pessoas portadoras de HVI acabam sendo marginalizadas. Segundo ela, o HIV, por característica, já deprime a pessoa e, como se não bastasse, pela exclusão social, ela fica ainda mais debilitada.

O entregador Alessandro Sales estava fazendo o teste no dia em que a reportagem esteve no CTA e diz ter sido “cobrado” pela esposa. “Eu vim fazer o teste por causa da minha mulher, sou casado há pouco tempo e ela cobrou de mim o teste de HIV. Ela me avisou que o teste era rápido e gratuito”, comenta. Sales deseja saber mais sobre sua saúde, para depois pensar em filho, ”meu objetivo é que o teste dê negativo para que eu possa ter filhos. Em primeiro lugar, buscamos saber como está a nossa saúde, para depois termos o nosso filho saudável”, afirma. Ao final da palestra, a pessoa é convidada para fazer o exame, quando são retiradas algumas gotas de sangue e, cerca de 15 minutos, recebe o seu resultado do teste rápido de HIV.

Brasil é exemplo
Há uma década o teste rápido de HIV é feito em Londrina. Tudo começou nas maternidades públicas e, hoje, existem duas unidades básicas de saúde no município que podem fazer o teste e esclarecer as dúvidas sobre o assunto, diz a gerente do Programa Municipal de DST, aids, hepatite e tuberculose, Regina Márcia Cortes Correa.
O CTA tem equipe multiprofissional e recebe recursos do Ministério da Saúde para serem destinados aos portadores de HIV, medicamentos e até cestas básicas e transporte se houver necessidade.


Regina enfatiza a importância da prevenção e a promoção de conhecimento prévio da doença. Já que, quando a pessoa descobre precocemente que é portadora do vírus HIV, é muito mais fácil adequar os medicamentos para o tipo de soro que a infectou.

De acordo com a gerente, o vírus passa por mutações, e por causa dos medicamentos usados exige-se um espaço de tempo para a adaptação da pessoa. “Essa adaptação é constatada através da resposta física e imunológica, ou seja, se estão aumentando os anticorpos e restringindo o vírus no sangue. Se isso não ocorrer, temos que mudar os medicamentos, o que leva um bom tempo. E quanto mais tempo demorar o tratamento, maior será o risco”, lembra Regina, fortalecendo ainda mais a importância do teste rápido de HIV.

“A vida não termina ali”
A descoberta do vírus exige o acompanhamento de pessoas preparadas para dialogar, acolher emocionalmente e esclarecer ao portador que a vida não termina ali, apenas terá um novo começo. Uma das profissionais responsáveis por esse trabalho é a psicóloga Josani Campos da Silva.

“Atendo as pessoas que já receberam o diagnóstico positivo de HIV e também seus familiares. Além dos portadores direcionados pelo próprio CTA, também seus familiares. Além dos portadores direcionados pelo próprio CTA, também recebemos os de hospitais de toda a região de Londrina. Por mês, passam pelo CTA cerca de 200 pessoas.

De 1° de janeiro até o dia 27 de setembro de 2010, 820 homens fizeram o teste rápido no CTA. Desses, 48 foram detectados com o vírus. No mesmo período, foram atendidas 651 mulheres, das quais 25 estão contaminadas. A faixa etária é variada, mas a maior parte se concentra entre 30 e 34 anos. A psicóloga afirma que não há grupo de risco e que todas as estão vulneráveis aos vírus. “São muitos os casos que já atendi, o mais difícil foi de uma pessoa que eu conhecia há muito tempo, inclusive é do meu âmbito social. Isso faz a gente entender que qualquer pessoa está sujeita a se contaminar e serve como alerta”, relata.

Segundo Josani, a maioria das pessoas atendidas é infectada pela doença através da relação sexual. Entre os casos, estão mulheres que descobrem o vírus durante a gestação, homens, homussexuais, até jovens de 16 anos e outros com mais de 50 anos. Enfim, não há idade nem perfil específicos.
Como fazer o teste?
Pelo menos dois meses após a última relação sexual anal, vaginal, oral sem a proteção da camisinha. Isso porque durante esse período o vírus não é detectado pelo exame. Dois meses também após compartilhar seringas e agulhas (uso de drogas, tatuagens, Piercings). E toda gestante durante o pré-natal. Para fazer o exame não é necessário estar em jejum. É necessário estar acompanhado de documento com foto e chegar 20 minutos antes da palestra.

Como se prevenir do HIV
Segundo o Departamento de DST, a camisinha é o meio mais seguro de se prevenir contra o aids e contra outras doenças sexualmente transmissíveis (DST). Outras formas de se prevenir contra tais doenças é não compartilhar seringas e agulhas. Todo cidadão tem direito ao acesso gratuito aos medicamentos antirretrovirais, que inibem a reprodução do HIV no sangue.

Serviço - O Centro de Testagem e Aconselhamento de Londrina (CTA) fica na Alameda Manoel Ribas, 01 (no início da rua Souza Naves), e atende de segunda a sexta-feira, entre 8h e 17h30. Já a palestra e o teste rápido de HIV são realizados nas segundas, quartas e quintas-feiras, com o início as 8h30 e às 14 horas. O Mais informações pelos telefones 3378-0146 / 3378-0147.

4 de janeiro de 2011

Dia especial para as crianças de uma creche na zona norte


“Muitas delas nunca teriam uma festa como essa e muito menos ganhariam presentes nesse final de ano”, diz coordenadora


Texto e foto - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte jornalfolhanorte.com.br)


As 120 crianças que são atendidas no Centro de Educação Infantil (CEI) Lindalva Bassetto, creche filantrópica do conjunto Semiramis (zona norte), tiveram uma tarde de festa nessa última quinta-feira (09/12). Os presentes, salgadinhos e refrigerantes trouxeram muita felicidade e esperança para um final de 2010 ainda melhor para as crianças.


A creche existe desde 1992 e já atendeu milhares de crianças da região norte. Em cada final de ano a direção e amigos da creche se organizam e buscam ajuda junto aos “padrinhos”, que atendem ao pedido e presenteiam as 120 crianças matriculadas. “Fazemos isso em todos os finais de ano e percebemos que tem sido cada vez melhor. Os “padrinhos”, pessoas que compram os presentes e que preferem não se identificar, estão cada vez mais generosos e doando presentes melhores”, conta a coordenadora Andreia Cássia Morais.


Felizes por serem presenteadas, as crianças talvez não experimentariam um momento desses se não fosse à creche, afirma a coordenadora. “Muitas delas nunca teriam uma festa como essa e muito menos ganhariam presentes nesse final de ano, então esses presentes suprem essa carência”, diz Andreia. Ela ainda reforça o grande apoio recebido durante todos esses anos, ”hoje temos uma grande fartura de alimentos em nossa creche, podemos proporcionar cinco refeições a cada criança. Isso graças a Deus e as pessoas que colaboram conosco”.


A creche atende as crianças a partir dos seis meses de vida até os cinco anos de idade. Além disso, possui uma ala onde são ensinadas aulas socioeducativas para crianças de seis a nove anos de idade.


PARCEIRO CONTA COMO CONSEGUE OS PRESENTES

Conhecido por toda a região dos Cinco Conjuntos (zona norte), Deolino Bassetto se dedica há muitos anos ao Centro de Educação Infantil (CEI) Lindalva Basseto, que leva o nome de sua esposa já falecida. Ex-vereador em Londrina, diz ter deixado a política e hoje se dedica ainda mais à creche.


Ele comenta como fez para arrecadar tantos presentes para tantas crianças. Presentes esses que variam desde livros, brinquedos, calçados e roupas. “A coordenadora Andreia nos passa a lista e buscamos, junto aos padrinhos, os presentes para essas 120 crianças. Os padrinhos são várias pessoas da cidade que sempre nos ajudaram, porém, não permitem divulgar os seus nomes”, explica Bassetto. Fora os padrinhos que destinaram os presentes, pessoas da própria comunidade doaram para a festa o bolo, os salgadinhos, os refrigerantes e a cama elástica, destaca ele.

23 de dezembro de 2010

Roque Magno Santos, entre rimas e histórias



Autor de várias histórias mantém viva a literatura de cordel em Londrina







Texto e foto - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte jornalfolhanorte.com.br)

Aos 66 anos de idade Roque Magno Santos mantém viva a literatura de cordel na cidade de Londrina. Baiano, livreiro, autor de histórias e poemas, ele conta a sua experiência com a arte a qual foi alfabetizado e que aprendeu a produzir e divulgar. Santos também defende a literatura de cordel nas escolas, pois acredita na sua eficácia pedagógica e de aprendizagem. A literatura de cordel é um poema popular impresso normalmente em folhetos rústicos. Trazida de Portugal, foi incorporada pelos nordestinos e leva esse nome devido à tradição de pendurar folhetos em barbantes.

Nascido em Heliópolis (BA), Roque Magno Santos foi trazido, aos nove anos de idade, pelos pais a cidade de Paranavaí (PR). Anos depois chegou a Londrina, onde vive até hoje vendendo seus livretos e participando de feiras para divulgar a literatura de cordel. Ele defende esse tipo de literatura nas escolas, pois acredita na eficácia pedagógica e de aprendizagem.

Embora tenha sido alfabetizado com esta arte, foi na fase adulta que ele começou a escrever. Ele tem hoje mais de 40 histórias escritas, sendo que a primeira surgiu em uma homenagem à cidade de Maringá (PR). "Embora eu gostasse desta literatura, não pensava em escrever literatura de cordel até que, há 33 anos, um secretário de cultura de Maringá da época me fez um desafio em produzir algo para exaltar o aniversário da cidade que completava 30 anos", conta. Ele recorda-se do final daquele texto: “Maringá, hoje fazes 30 anos. Tem história e labor, que escreveram com suor e construíram com muito amor, teus pioneiros indômitos, o imortal trabalhador”.

O artista revela que não é um poeta, mas sim um romântico emotivo. “A inspiração de quem escreve a literatura de cordel não está na razão, está no que o autor sente. Não é o pensamento, é a emoção. A poesia nasce do sofrimento e a seca do nordeste é uma tragédia, e a tragédia trás a emoção e a criatividade”.

Ele observa que a linguagem deve ser sempre simples. "Os autores devem tomar cuidado com a linguagem impressa nos pequenos livrinhos para não sofisticá-la", comenta.

Admirador do paraibano Leandro Gomes de Barros, um dos grandes nomes da literatura de cordel, Roque Magno Santos fala um pouco da interferência da cultura extrangeira no Brasil. “Eu não condeno essa cultura estrangeira que é exibida em nosso país, temos que avaliá-la e consumir o que é bom e enriquecer ainda mais a nossa cultura brasileira”, opina.

E sobre a literatura de cordel como pedagogia, ele defende como um método eficaz de aprendizagem. “A escola perdeu o encanto. É preciso motivar as crianças a lerem novamente, e a literatura de cordel pode ajudar nessa questão, pois oferece uma leitura simples e rápida. No entanto, não é descartável, não é uma cultura “fast-food”. O artista baiano ainda vê um bom futuro à literatura de cordel, de acordo com ele, quanto mais o tempo passa, mais as pessoas tomam conhecimento de sua importância. “Metodologicamente é muito viável, é pequeno, fácil, curto e baratinho. Em qualquer lugar pode ser lida, e a rima que ele proporciona é muito instigante”, assegura Roque Magno Santos.


 

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