1 de fevereiro de 2011

Bebê-Clínica é exemplo na prática preventiva

Criado em Londrina, tratamento voltado para a saúde bucal infantil é usado também por outros países


Texto e foto - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte: jornalfolhanorte.com.br)


Londrina é modelo para o mundo quando o assunto é tratamento da saúde bucal de crianças. Isso graças ao pioneirismo da Bebê-Clínica que atende bebês a partir dos quatro meses de idade, sempre com a intenção também de reeducar os pais a prevenir as doenças de seus filhos.

O diretor Antônio Ferelle explica que quando começaram a divulgar a idéia, em 1983, os dentistas foram chamados de loucos. “Questionavam-nos de como iríamos atender as crianças, já que elas não possuíam dentes”, contou Ferelle. Referência, a clínica trabalha na geração e fortalecimento de hábitos saudáveis, além de propor melhorias no processo de desenvolvimento da prática sanitária em geral.


Vinculada à Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Bebê-Clínica começou a funcionar em 1983 quando um grupo de professores de Odontopediatria percebeu o grande número de crianças com cáries já aos três, quatro anos de idade. “Então nos perguntamos, por quê então não atendemos as crianças antes delas terem esses problemas?”, conta o diretor Antônio Ferelle. “Através disso buscamos desenvolver um novo jeito de atender essas crianças. Começamos com atividades na Bebê-Clínica, atendendo as crianças e orientando os pais”, diz.


O trabalho da Bebê-Clínica vai além da criança e tem na reeducação dos pais o ponto de partida do tratamento. Ferelle diz que dessa forma os pais educarão corretamente seus filhos em relação à saúde bucal. A criança inicia-se no programa por volta dos quatro meses de idade. Antes, é feito uma reunião com os pais onde é explicado o trabalho da clínica e normas que devem ser seguidas rigorosamente. Já na clínica é ensinado aos pais como limpar a boca de seus filhos, o consumo de açucares e como deve ser o aleitamento noturno, responsável pela cárie de mamadeira.


“Através do histórico apresentado pelos pais, saberemos os riscos que a criança tem de possuir cárie. Por exemplo, se ela come muito doce e não escova os dentes. Lembrando que as crianças não nascem pedindo doces, são os adultos que dão. Se elas não experimentarem, não irão pedir”, afirma o diretor Antônio Ferelle.


A equipe Bebê-Clínica é grande, e desde março de 2009 a dentista residente Paula Kreling fortalece este time. Todos sempre bem preparados para atender o grande número de crianças, Paula diz que cada dentista residente atende uma média de 350 pacientes.


A Bebê-Clínica atende também crianças através do seu pronto-socorro, a dentista conta que há uma grande diferença entre elas. “A maior dificuldade é em relação à conduta da criança. Trabalhamos com dois tipos, as que já estão se tratando conosco desde os quatro meses, que são mais fáceis de trabalhar, e as que chegam através do pronto-socorro. Essas chegam em uma situação mais precária em relação aos dentes, chegam com cáries, com dores, além dos traumas causados por incidentes”, relata.


“Acho muito bom já que desde a primeira reunião que participamos, há seis meses, começamos a fazer o que nos foi ensinado, já notamos o resultado positivo”, destaca Edson Juliano Fernandes, pai da paciente Ana Gisele, de quatro meses.


Fernandes destaca que todo o aprendizado na Bebê-Clínica trará um futuro melhor para a saúde bucal da sua filha. “Hoje novamente a trouxemos e a dentista nos ensinou mais um pouco, sabemos que tudo isso será muito bom para o futuro dela. Sabemos que dessa forma iremos livrar nossa filha de muitas complicações. O trabalho que nós tivemos com nossos dentes, não queremos que ela também tenha”, completa o pai junto à esposa.


Referência fora do país

Muitos profissionais buscam na Bebê-Clínica o aperfeiçoamento em odontologia para bebês e o estágio de observação. Alguns desses vindos de vários estados brasileiros e países da América Latina. A história da Bebê-Clínica, além do bom atendimento, registra avanços na formação de recursos humanos em saúde, além da produção de tecnologias na área de odontologia para bebês.


Uma inovação simples, mas de grande utilidade é a ‘Macri’, uma pequena maca desenvolvida pelos profissionais da clínica para conter a inquietação das crianças no atendimento. O diretor Antônio Ferelle explica melhor a inovação. “O nome Macri é uma mistura de maca com criança, ela foi criada para que as crianças não se mecham muito. Quando nós as atendemos, elas usam o pé para apoiar e se virar na cadeira, já nesta maca, elas não conseguem fazer esse movimento”, explica o diretor Antônio Ferelle.


Todo esse atendimento diferenciado é também lembrado por Franciele Souza Rodrigues, mãe de Davi que há dois anos faz tratamento no local, após cair e perder um dente. “Eu gosto do tratamento. A criança é muito bem atendida, além do ambiente que é bom e os dentistas são muito bem preparados”, reconhece.


Cerca de 30 mil atendimentos

Depois de décadas, a Bebê-Clínica já atendeu quase 30 mil crianças, sempre sensibilizando a população de pais e responsáveis a respeito da importância da saúde bucal dos bebês. Assim, fica difícil entender que os precursores desse projeto foram um dia desacreditados.


O diretor explica que quando começaram a divulgar a idéia, foram chamados de loucos pelos veículos de comunicação. “Questionavam-nos de como iríamos atender as crianças, já que elas não possuíam dentes. Então respondíamos que a nossa intenção era trabalhar com a educação das mães para a prevenção de doenças bucais em seus filhos”, relembra com alegria o diretor, já que a partir dali passariam a ser exemplo na prática odontológica brasileira e mundial.


Até hoje já passaram pela Bebê-Clínica mais de 29 mil crianças. O que um dia foi tratado como loucura por muitos, hoje é admirado e usada inclusive por outros países da América do sul, junto ao México, Israel e Estados Unidos. “Hoje, quando a criança nasce, o médico já indica um dentista para ela se consultar. Ou seja, o que antigamente davam risada de nós, atualmente é aceito culturalmente em nossa região em todos os hospitais”, comenta Ferelle.


Endereço da Bebê-Clínica: Rua Benjamin Constant, 800. Telefone: 3323-1232. Email: bebeclinica@uel.br

24 de janeiro de 2011

Teste rápido antecipa tratamento de HIV


O importante ainda é a prevenção, mas o conhecimento prévio do vírus facilita o encaminhamento de medicamentos e prolonga a vida do portador
Texto e fotos - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte jornalfolhanorte.com.br)

Tensão acompanhada de uma certa angústia. Assim podem ser considerados os 15 minutos que antecedem o resultado do teste rápido de HIV, realizado desde 2006 pelo Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA). Aberto ao público, o teste é simples, gratuito e pode detectar o tão temido vírus da aids ainda em seu princípio, antes mesmo que a pessoa portadora comece a sentir os primeiros sintomas.

Toda essa praticidade vem acompanhada de um resultado que pode ser de alívio para uns e de desespero para outros, pois ninguém está preparado para aceitar uma nova vida, talvez, agora acompanhada de um vírus estigmatizado pela sociedade. Descobrir o HIV de forma rápida agiliza o tratamento e torna mais fácil direcionar os medicamentos para o tipo de soro específico do portador.

O CTA possui uma equipe multiprofissional para o atendimento, oferecendo a todos assistência médica e social, farmacêutica, psicológica, odontológica e de enfermaria. O interessado em fazer o teste é cadastrado e convidado a assistir a uma palestra de 30 minutos, preliminar ao teste rápido. O centro costuma receber diariamente uma média de 15 pessoas interessadas no teste.

Proferida pela orientadora Ilda Cássia Baptistotti, a palestra tem cunho esclarecedor. No início, Ilda explica a diferença entre a aids e o HIV. O HIV é o vírus que desenvolve a aids e, após a pessoas ser infectada, em muitos casos ela só sentirá os sintomas depois de oito meses.

A orientadora afirma que quem ao faz o teste pode só acabar descobrindo que tem a doença através dos sintomas apresentados pelo seu corpo. Um deles é a perda de peso, causada pela falta de apetite e por causa de diarréias. Gripes constantes, pneumonia, tuberculose, herpes, entre outros, também podem ser sintomas, pois são doenças oportunistas. No entanto, há casos de HIV que não têm todas essas características. A hepatite também é um assunto tratado na palestra.

A palestra ensina como utilizar corretamente os preservativos masculinos e femininos. Outro ponto destacado pela orientadora é o preconceito, isso porque muitas pessoas portadoras de HVI acabam sendo marginalizadas. Segundo ela, o HIV, por característica, já deprime a pessoa e, como se não bastasse, pela exclusão social, ela fica ainda mais debilitada.

O entregador Alessandro Sales estava fazendo o teste no dia em que a reportagem esteve no CTA e diz ter sido “cobrado” pela esposa. “Eu vim fazer o teste por causa da minha mulher, sou casado há pouco tempo e ela cobrou de mim o teste de HIV. Ela me avisou que o teste era rápido e gratuito”, comenta. Sales deseja saber mais sobre sua saúde, para depois pensar em filho, ”meu objetivo é que o teste dê negativo para que eu possa ter filhos. Em primeiro lugar, buscamos saber como está a nossa saúde, para depois termos o nosso filho saudável”, afirma. Ao final da palestra, a pessoa é convidada para fazer o exame, quando são retiradas algumas gotas de sangue e, cerca de 15 minutos, recebe o seu resultado do teste rápido de HIV.

Brasil é exemplo
Há uma década o teste rápido de HIV é feito em Londrina. Tudo começou nas maternidades públicas e, hoje, existem duas unidades básicas de saúde no município que podem fazer o teste e esclarecer as dúvidas sobre o assunto, diz a gerente do Programa Municipal de DST, aids, hepatite e tuberculose, Regina Márcia Cortes Correa.
O CTA tem equipe multiprofissional e recebe recursos do Ministério da Saúde para serem destinados aos portadores de HIV, medicamentos e até cestas básicas e transporte se houver necessidade.


Regina enfatiza a importância da prevenção e a promoção de conhecimento prévio da doença. Já que, quando a pessoa descobre precocemente que é portadora do vírus HIV, é muito mais fácil adequar os medicamentos para o tipo de soro que a infectou.

De acordo com a gerente, o vírus passa por mutações, e por causa dos medicamentos usados exige-se um espaço de tempo para a adaptação da pessoa. “Essa adaptação é constatada através da resposta física e imunológica, ou seja, se estão aumentando os anticorpos e restringindo o vírus no sangue. Se isso não ocorrer, temos que mudar os medicamentos, o que leva um bom tempo. E quanto mais tempo demorar o tratamento, maior será o risco”, lembra Regina, fortalecendo ainda mais a importância do teste rápido de HIV.

“A vida não termina ali”
A descoberta do vírus exige o acompanhamento de pessoas preparadas para dialogar, acolher emocionalmente e esclarecer ao portador que a vida não termina ali, apenas terá um novo começo. Uma das profissionais responsáveis por esse trabalho é a psicóloga Josani Campos da Silva.

“Atendo as pessoas que já receberam o diagnóstico positivo de HIV e também seus familiares. Além dos portadores direcionados pelo próprio CTA, também seus familiares. Além dos portadores direcionados pelo próprio CTA, também recebemos os de hospitais de toda a região de Londrina. Por mês, passam pelo CTA cerca de 200 pessoas.

De 1° de janeiro até o dia 27 de setembro de 2010, 820 homens fizeram o teste rápido no CTA. Desses, 48 foram detectados com o vírus. No mesmo período, foram atendidas 651 mulheres, das quais 25 estão contaminadas. A faixa etária é variada, mas a maior parte se concentra entre 30 e 34 anos. A psicóloga afirma que não há grupo de risco e que todas as estão vulneráveis aos vírus. “São muitos os casos que já atendi, o mais difícil foi de uma pessoa que eu conhecia há muito tempo, inclusive é do meu âmbito social. Isso faz a gente entender que qualquer pessoa está sujeita a se contaminar e serve como alerta”, relata.

Segundo Josani, a maioria das pessoas atendidas é infectada pela doença através da relação sexual. Entre os casos, estão mulheres que descobrem o vírus durante a gestação, homens, homussexuais, até jovens de 16 anos e outros com mais de 50 anos. Enfim, não há idade nem perfil específicos.
Como fazer o teste?
Pelo menos dois meses após a última relação sexual anal, vaginal, oral sem a proteção da camisinha. Isso porque durante esse período o vírus não é detectado pelo exame. Dois meses também após compartilhar seringas e agulhas (uso de drogas, tatuagens, Piercings). E toda gestante durante o pré-natal. Para fazer o exame não é necessário estar em jejum. É necessário estar acompanhado de documento com foto e chegar 20 minutos antes da palestra.

Como se prevenir do HIV
Segundo o Departamento de DST, a camisinha é o meio mais seguro de se prevenir contra o aids e contra outras doenças sexualmente transmissíveis (DST). Outras formas de se prevenir contra tais doenças é não compartilhar seringas e agulhas. Todo cidadão tem direito ao acesso gratuito aos medicamentos antirretrovirais, que inibem a reprodução do HIV no sangue.

Serviço - O Centro de Testagem e Aconselhamento de Londrina (CTA) fica na Alameda Manoel Ribas, 01 (no início da rua Souza Naves), e atende de segunda a sexta-feira, entre 8h e 17h30. Já a palestra e o teste rápido de HIV são realizados nas segundas, quartas e quintas-feiras, com o início as 8h30 e às 14 horas. O Mais informações pelos telefones 3378-0146 / 3378-0147.

4 de janeiro de 2011

Dia especial para as crianças de uma creche na zona norte


“Muitas delas nunca teriam uma festa como essa e muito menos ganhariam presentes nesse final de ano”, diz coordenadora


Texto e foto - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte jornalfolhanorte.com.br)


As 120 crianças que são atendidas no Centro de Educação Infantil (CEI) Lindalva Bassetto, creche filantrópica do conjunto Semiramis (zona norte), tiveram uma tarde de festa nessa última quinta-feira (09/12). Os presentes, salgadinhos e refrigerantes trouxeram muita felicidade e esperança para um final de 2010 ainda melhor para as crianças.


A creche existe desde 1992 e já atendeu milhares de crianças da região norte. Em cada final de ano a direção e amigos da creche se organizam e buscam ajuda junto aos “padrinhos”, que atendem ao pedido e presenteiam as 120 crianças matriculadas. “Fazemos isso em todos os finais de ano e percebemos que tem sido cada vez melhor. Os “padrinhos”, pessoas que compram os presentes e que preferem não se identificar, estão cada vez mais generosos e doando presentes melhores”, conta a coordenadora Andreia Cássia Morais.


Felizes por serem presenteadas, as crianças talvez não experimentariam um momento desses se não fosse à creche, afirma a coordenadora. “Muitas delas nunca teriam uma festa como essa e muito menos ganhariam presentes nesse final de ano, então esses presentes suprem essa carência”, diz Andreia. Ela ainda reforça o grande apoio recebido durante todos esses anos, ”hoje temos uma grande fartura de alimentos em nossa creche, podemos proporcionar cinco refeições a cada criança. Isso graças a Deus e as pessoas que colaboram conosco”.


A creche atende as crianças a partir dos seis meses de vida até os cinco anos de idade. Além disso, possui uma ala onde são ensinadas aulas socioeducativas para crianças de seis a nove anos de idade.


PARCEIRO CONTA COMO CONSEGUE OS PRESENTES

Conhecido por toda a região dos Cinco Conjuntos (zona norte), Deolino Bassetto se dedica há muitos anos ao Centro de Educação Infantil (CEI) Lindalva Basseto, que leva o nome de sua esposa já falecida. Ex-vereador em Londrina, diz ter deixado a política e hoje se dedica ainda mais à creche.


Ele comenta como fez para arrecadar tantos presentes para tantas crianças. Presentes esses que variam desde livros, brinquedos, calçados e roupas. “A coordenadora Andreia nos passa a lista e buscamos, junto aos padrinhos, os presentes para essas 120 crianças. Os padrinhos são várias pessoas da cidade que sempre nos ajudaram, porém, não permitem divulgar os seus nomes”, explica Bassetto. Fora os padrinhos que destinaram os presentes, pessoas da própria comunidade doaram para a festa o bolo, os salgadinhos, os refrigerantes e a cama elástica, destaca ele.

23 de dezembro de 2010

Roque Magno Santos, entre rimas e histórias



Autor de várias histórias mantém viva a literatura de cordel em Londrina







Texto e foto - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte jornalfolhanorte.com.br)

Aos 66 anos de idade Roque Magno Santos mantém viva a literatura de cordel na cidade de Londrina. Baiano, livreiro, autor de histórias e poemas, ele conta a sua experiência com a arte a qual foi alfabetizado e que aprendeu a produzir e divulgar. Santos também defende a literatura de cordel nas escolas, pois acredita na sua eficácia pedagógica e de aprendizagem. A literatura de cordel é um poema popular impresso normalmente em folhetos rústicos. Trazida de Portugal, foi incorporada pelos nordestinos e leva esse nome devido à tradição de pendurar folhetos em barbantes.

Nascido em Heliópolis (BA), Roque Magno Santos foi trazido, aos nove anos de idade, pelos pais a cidade de Paranavaí (PR). Anos depois chegou a Londrina, onde vive até hoje vendendo seus livretos e participando de feiras para divulgar a literatura de cordel. Ele defende esse tipo de literatura nas escolas, pois acredita na eficácia pedagógica e de aprendizagem.

Embora tenha sido alfabetizado com esta arte, foi na fase adulta que ele começou a escrever. Ele tem hoje mais de 40 histórias escritas, sendo que a primeira surgiu em uma homenagem à cidade de Maringá (PR). "Embora eu gostasse desta literatura, não pensava em escrever literatura de cordel até que, há 33 anos, um secretário de cultura de Maringá da época me fez um desafio em produzir algo para exaltar o aniversário da cidade que completava 30 anos", conta. Ele recorda-se do final daquele texto: “Maringá, hoje fazes 30 anos. Tem história e labor, que escreveram com suor e construíram com muito amor, teus pioneiros indômitos, o imortal trabalhador”.

O artista revela que não é um poeta, mas sim um romântico emotivo. “A inspiração de quem escreve a literatura de cordel não está na razão, está no que o autor sente. Não é o pensamento, é a emoção. A poesia nasce do sofrimento e a seca do nordeste é uma tragédia, e a tragédia trás a emoção e a criatividade”.

Ele observa que a linguagem deve ser sempre simples. "Os autores devem tomar cuidado com a linguagem impressa nos pequenos livrinhos para não sofisticá-la", comenta.

Admirador do paraibano Leandro Gomes de Barros, um dos grandes nomes da literatura de cordel, Roque Magno Santos fala um pouco da interferência da cultura extrangeira no Brasil. “Eu não condeno essa cultura estrangeira que é exibida em nosso país, temos que avaliá-la e consumir o que é bom e enriquecer ainda mais a nossa cultura brasileira”, opina.

E sobre a literatura de cordel como pedagogia, ele defende como um método eficaz de aprendizagem. “A escola perdeu o encanto. É preciso motivar as crianças a lerem novamente, e a literatura de cordel pode ajudar nessa questão, pois oferece uma leitura simples e rápida. No entanto, não é descartável, não é uma cultura “fast-food”. O artista baiano ainda vê um bom futuro à literatura de cordel, de acordo com ele, quanto mais o tempo passa, mais as pessoas tomam conhecimento de sua importância. “Metodologicamente é muito viável, é pequeno, fácil, curto e baratinho. Em qualquer lugar pode ser lida, e a rima que ele proporciona é muito instigante”, assegura Roque Magno Santos.


22 de dezembro de 2010

Londrinense foge do preço do álcool


A diferença de cerca de R$ 0,15 no litro do preço do álcool está levando o londrinense a abastecer em Cambé


Texto e foto - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte jornalfolhanorte.com.br)


Boa parte dos postos pesquisados aponta em Londrina o preço médio de R$ 1,88. Na cidade vizinha, o valor médio está em R$ 1,75, mas há lugares em que custa R$ 1,73. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de novembro, divulgado esta semana pelo IBGE, o aumento do etanol foi de 2,97%, frente a outubro.


Considerando as variações dos últimos 12 meses terminados em novembro, o preço do etanol está 2,17% mais caro. A gasolina acompanhou a alta, mas em ritmo menor, ao registrar elevação de 1,55% no acumulado.


A insatisfação com os preços está fazendo com que os motoristas de Londrina abasteçam em Cambé. Em uma rápida visita à cidade vizinha, nota-se que o combustível está realmente mais barato. Em alguns postos, a diferença quase chega a R$ 0,20. Tal “oferta” está chamando a atenção de alguns londrinenses, como o aposentado Paulo Okiama. “Venho de Londrina para abastecer álcool em Cambé. Em cada vez que encho o tanque, eu economizo mais ou menos R$ 10.”


Morador do Jardim do Sol, na Zona Oeste de Londrina, ele relata que o preço do álcool em outros estados é ainda menor. “Coloco o máximo de álcool em Cambé, o que o carro permite, ando por Londrina até esvaziar o tanque. Também costumo viajar para o estado de São Paulo, onde a diferença é ainda maior”, conta Okiama.


Indignado com o preço do álcool em Londrina, Nilton Begini dispara: “É uma pouca vergonha o que esse cartel de postos de combustíveis faz conosco. Deveria ter uma cobrança maior do governo em cima desses postos. O governo também poderia comercializar diretamente com o consumidor, quem sabe assim os outros postos também reduziriam os preços”, exige.


Sete anos morando nos Estados Unidos, o corretor de imóveis Lourival Vicente Neto diz ter levado um susto quando viu o preço dos combustíveis no Brasil. “Por ser um grande produtor de álcool, o Brasil, em qualquer que seja o posto, deveria vender o álcool no mínimo R$ 1 mais barato do que a gasolina. Somos o maior produtor de álcool de cana-de-açúcar do mundo e vendemos o produto tão caro a nós mesmos”, criticou.


MARGEM DE LUCRO É MENOR EM LONDRINA?

“Em comparação ao preço baixo dos postos de Cambé, eu prefiro não comentar, nem quanto à qualidade do produto deles, nem quanto à procedência. O nosso combustível eu garanto que é de ótima qualidade”, diz Luiz Cláudio de Oliveira, gerente de um posto na região central de Londrina, onde o álcool está R$ 1,86.


Oliveira justifica o valor em Londrina quando comparado com Cambé. “Na verdade, os postos só podem ganhar até R$ 0,30 por litro de álcool, e a gente nem chega a esse valor. Buscamos repassar o mínimo possível ao nosso cliente, compramos o álcool da distribuidora a R$ 1,60 por litro e ganhamos apenas R$ 0,26 em cima desse valor”, assegura.


Em Cambé, um gerente que preferiu não se identificar confessa que preferiria vender álcool a um preço maior, mas isso o levaria à falência. “O problema é que os nossos concorrentes vendem o produto muito barato, e para não perdermos mais clientes e falirmos, também reduzimos o preço e levamos prejuízo. Infelizmente, já ocorreram até demissões por causa disso, mas não há outra forma de superar o problema”, admite.


SINDICOMBUSTÍVES TENTA EXPLICAR DIFERENÇA

O vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lojas de Conveniência do Estado do Paraná (Sindicombustíveis) na região de Londrina, Durval Garcia Júnior, aponta alguns fatores para a diferença nos preços em cidades tão próximas. Segundo ele, o IPTU, o fornecimento de energia elétrica e de água em Londrina são muito mais caros do que em Cambé.


Durval Garcia Júnior confronta os valores e analisa a realidade dos postos de combustíveis entre as duas cidades. “Por exemplo, um posto à venda em Cambé, com capacidade para 150 mil litros de combustível, custará R$ 150 mil; aqui em Londrina, não será vendido por menos de R$ 400 mil. O aluguel de um posto na área central de Londrina, atualmente, é de R$ 15 mil; em Cambé, não ultrapassa R$ 5 mil”, justifica ele, acrescentando que, se o preço de Londrina fosse o mesmo de Cambé, “nosso lucro, por litro, seria de apenas R$ 0,28 e o deles de 40 centavos”.


Além disso, o vice-presidente destaca o baixo preço como um atrativo dos postos da cidade vizinha para segurar os clientes em Cambé. “Muitas pessoas que moram em Cambé trabalham em Londrina. Se não fosse essa diferença de preço, o morador de lá também iria abastecer o seu automóvel aqui”, comenta.


Esses, entre outros fatores, segundo ele, levaram empresários de Londrina a desistirem do negócio. Nos últimos anos, 60% dos postos de combustíveis de Londrina mudaram de proprietários.

Artes marciais garantem alimentos aos carentes















Ex-praticante de boxe, prefeito Barbosa Neto destacou a importância do evento que arrecadou alimentos para o Provopar

Texto e fotos - PAULO MONTEIRO (matéria publicada originalmente pelo jornal Folha Norte jornalfolhanorte.com.br)

Nem a chuva durante toda a tarde em Londrina afastou os amantes das artes marciais do ginásio Moringão. Todos com o mesmo objetivo: ajudar pessoas carentes com a doação de alimentos, assistir a grandes lutas e prestigiar um evento esportivo da cidade que completa 76 anos. O Londrina Fight 2 reuniu pessoas de Londrina e região. O evento arrecadou uma grande quantidade de alimentos para o Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), que desenvolve ações sociais no Paraná.

A gerente administrativa do Provopar Londrina, Ana Lúcia Conti, comentou a importância da iniciativa dos organizadores. “Esse é o segundo evento em que somos parceiros. O início do ano é sempre mais difícil para o Provopar, nessa data ocorrem poucas doações e esse evento nos dará a oportunidade de continuar ajudando as famílias carentes e as entidades que mais necessitam.”
No Moringão estavam famílias inteiras atentas aos combates duríssimos em cima do ringue. O músico Edson Aramis, 41 anos, levou os dois filhos. “Trouxe meus filhos para prestigiar esse evento, somos praticantes e admiradores do esporte. É muito válido os organizadores também ajudarem uma instituição filantrópica. Outros eventos também poderiam destinar alimentos e outras doações às instituições que ajudam as pessoas”, recomendou o músico.

Em meio à emoção das lutas, as arquibancadas do ginásio tiveram também a sensibilidade do grande público feminino. A universitária Natália Lopes, 20 anos, de Penápolis (SP), teve a oportunidade de assistir pela primeira vez a uma luta de vale-tudo. “Eu faço boxe e também gosto muito de artes marciais. É a primeira vez que assisto a uma luta de vale-tudo ao vivo. Foi muito inteligente os organizadores juntarem o esporte, que é saudável, com a arrecadação de alimentos, que é louvável”, destacou Natália.

BARBOSA NETO ASSISTIU AS LUTAS
O prefeito Barbosa Neto se juntou ao público e acompanhou muitos chutes e socos que foram desferidos no ringue do Moringão. “Agradeço a organização e a todos que participaram desse evento, é o segundo ano que estamos juntos. Londrina inovou outra vez, já que nenhum outro município do Brasil promove um evento como esse sem a cobrança de ingresso. O Provopar precisa muito dos alimentos arrecadados nesse domingo, que serão destinados a muitas pessoas em 2011”, disse.

Ex-praticante de artes marciais e boxe, Barbosa Neto conta que a prefeitura sempre estará disposta a apoiar iniciativas filantrópicas como essa. “Esperamos mais eventos como esse, a prefeitura ajuda a promover esportes que também ajudam a trazer mais recursos e doações a famílias carentes. Eu tive o prazer de praticar boxe durante alguns anos e gosto muito de esportes, não dá para eu lutar mais, mesmo assim procuro prestigiar sempre”, explicou.

RESULTADOS
Vale-tudo (MMA)
Jonas Lis, Londrina (PR), por finalização, venceu Railan Marcondes, Ponta Grossa (PR).
Edson Mosca, Londrina (PR), por finalização, venceu Maicon Furlan, Assis (PR).
José de Batista Neto, Londrina (PR), por finalização, venceu Rogério Pitbull, São Paulo.
João Paulo, São Paulo, por desistência do adversário, venceu Quaresma Jacaré, Londrina (PR).
Ari Marcel, João Pessoa (PB), por finalização, venceu Wellington Blen, Ponta Grossa (PR).
Muay Thai
Rafael Atilho, Londrina (PR), por decisão dos juízes, venceu Maicon Sidrak, Ponta Grossa (PR).
Boxe profissional
Edilson Pereira Agostinho, Londrina (PR), por nocaute, venceu Marcos Werner, Ponta Grossa (PR).
 

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